O que significa a Bíblia quando chama Jesus de Filho de Deus?

Termos podem ter significados diferentes em contextos e tempos diferentes.

Por exemplo, se você tivesse usado a palavra “awful” na Idade Média, não teria significado terrível ou muito ruim – como pensamos hoje. Em vez disso, teria significado “cheio de reverência” ou “digno de respeito ou medo”.1

O mesmo é verdadeiro para a linguagem usada quando a Bíblia foi escrita. Às vezes, uma palavra ou frase pode significar algo diferente do que significa em nossos tempos modernos, idioma e cultura.

Isso é verdadeiro com um dos títulos de Jesus, o Filho de Deus. Isso significa que Jesus é literalmente filho de Deus? O que isso nos diz sobre Sua divindade?

Adventistas—assim como outros cristãos—creem que Jesus é totalmente divino e totalmente humano (João 1:1-14). Quando a Bíblia se refere a Ele como o Filho de Deus, significa que Ele é o Deus eterno como membro da Divindade (Trindade)—Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo (Mateus 28:19; João 14:26; 2 Coríntios 13:14). Jesus mesmo disse que Ele era um com o Pai, que sempre existiu (João 10:30).

Assim, o termo Filho, neste contexto, expressa o papel de Jesus na promessa de Deus de salvar Seu povo.

Esta página explorará esses conceitos, destacando a plena divindade de Jesus e Sua igualdade com o Pai e o Espírito Santo, bem como Seu papel em vir à Terra para nos salvar.

Vamos analisar:

Vamos começar com algumas evidências de que Jesus é Deus.

O que a Bíblia diz sobre a divindade de Jesus?

A dove, like the one that appeared to Jesus at His baptism, flies over a cloudy sky at sunrise.

Image by Joe from Pixabay

A Bíblia afirma que Jesus Cristo é plenamente Deus. Logo no início, o Evangelho de Mateus nos diz que Jesus é Emanuel, que significa “Deus conosco” (Mateus 1:23). Ele sempre existiu como parte da Divindade. O Evangelho de João também fala de Jesus como o Verbo que é Deus e criou o mundo (João 1:1-3, 14).

De fato, muitas vezes no Novo Testamento (incluindo aqueles versículos em Mateus e João), Jesus é referido pela palavra grega para Deus, theos.2

Também encontramos evidências da divindade de Jesus por meio de relatos como Sua concepção miraculosa, as afirmações sobrenaturais de Sua divindade (como Seu batismo), os milagres que Ele realizou e o maior milagre de todos — Sua ressurreição dos mortos.

O relato do Evangelho de Lucas vai a grandes extensões para mostrar a natureza miraculosa da concepção e nascimento de Jesus. Destaca o fato de que a gravidez de Maria foi verdadeiramente fora do comum. Todas as histórias nos primeiros dois capítulos de Lucas são miraculosas:

  • Um anjo aparece ao sacerdote Zacarias, e sua esposa concebe João Batista em idade avançada depois de ter sido estéril toda a vida.
  • Um anjo aparece a Maria, dizendo-lhe que conceberá Jesus pelo Espírito Santo.
  • Um anjo aparece a José, assegurando-lhe o papel de Maria em dar à luz o Messias.

O anjo Gabriel disse a Maria:

“O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra; assim, também, o Santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35, NVI).

Desde a concepção de Jesus, vemos que Ele não era apenas um ser humano – Ele é Deus. Seu ministério nos dá ainda mais evidências para acreditar nisso.

Em Seu batismo, que marcou o início de Seu ministério terreno, o Espírito Santo desceu sobre Jesus como uma pomba, e Deus Pai se referiu a Jesus como Seu amado Filho (Mateus 3:17). João Batista mesmo viu isso como evidência de que Ele era o Messias (João 1:33-34).

Durante Seu ministério de três anos e meio, Jesus mostrou por Sua vida e ações que Ele tinha mais do que poder humano. Ele…

  • acalmou a tempestade (Lucas 8:23-25)
  • curou pessoas de suas enfermidades (Lucas 7:19-23; Mateus 14:36)
  • alimentou 5.000 pessoas com apenas cinco pães e dois peixes (Mateus 14:13-21)
  • ressuscitou os mortos (Mateus 9:23-26; Lucas 7:14; João 11:43-44)
  • ressuscitou dos mortos Ele mesmo (Lucas 24:1-9)

Quando João Batista estava na prisão e lutando com dúvidas sobre se Jesus era o Messias, ele enviou mensageiros a Jesus com a pergunta: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Lucas 7:19, ACF)

Resposta de Jesus?

“Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres anuncia-se o evangelho.” (Lucas 7:22, ACF).

As ações de Jesus refletiam Seu papel divino como o Messias. Elas cumpriram a profecia do Antigo Testamento e confirmaram o que Jesus disse sobre Si mesmo:

“As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim. … Eu e o Pai somos um” (João 10:25, 30, ACF).

É importante notar também que sempre que o título Filho de Deus era usado para Jesus, muitas vezes era em reconhecimento de Sua divindade. Aqui estão alguns exemplos.

E quanto ao título Filho de Deus?

Jesus, wearing a crown of thorns, holds his hands up in prayer.

Photo by Rodolfo Clix

A frase “filho de Deus” era às vezes usada pelos judeus do primeiro século para se referir a alguém criado por Deus, mas não necessariamente para indicar divindade. Por exemplo, Adão é chamado de “filho de Deus” em Lucas 3:38, e o apóstolo João diz que somos “filhos de Deus” (1 João 3:1).

Como você notará, nenhuma dessas utilizações é completamente literal. Eles não estão falando sobre alguém que nasceu de outra pessoa—do jeito que pensamos em uma relação pai-filho. Em vez disso, filhos de Deus e filhos de Deus são termos que mostram a relação de Deus com Seus seguidores.

Então, quando Jesus é chamado de Filho de Deus, isso significa o mesmo?

O contexto dessas passagens nos diz que não—não exatamente. Em muitos casos em que Jesus é chamado de Filho de Deus, é em reconhecimento de Sua divindade.

Filho de Deus era um título usado para ajudar a descrever algo divino e miraculoso de uma forma que as pessoas pudessem se relacionar. Eles podiam entender o papel e o relacionamento entre um pai e um filho, o que então poderia ajudá-los a entender melhor o papel que Jesus tinha na Divindade.

Em Mateus 4, o diabo vem e tenta Jesus com a frase: “Se és Filho de Deus” (versículos 3, 6), e então desafia Jesus a realizar um milagre, primeiro transformando pedras em pão e depois pulando do ponto mais alto do templo.

Com essas tentações, o diabo insinuou que alguém com o título Filho de Deus seria capaz de realizar esses tipos de milagres.

Mais tarde, em Mateus 14, Jesus acalma uma tempestade, resultando na seguinte exclamação daqueles ao seu redor:

“Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus” (versículo 33, ACF).

Jesus nem sempre recebia esse tipo de recepção, no entanto. Mas até as respostas negativas falam sobre o significado do título Filho de Deus.

Por exemplo, quando Jesus reconheceu que Ele era o Filho de Deus, os sacerdotes viram isso como blasfêmia, um termo para profundo desrespeito a Deus (João 10:36). O título Filho de Deus não significava apenas uma criança de Deus; caso contrário, eles não teriam ficado tão ofendidos. Para eles, Jesus estava reivindicando ser Deus ao usar esse título.

E de fato, Ele era. Porque Ele é Deus.

Mas os sacerdotes e outros líderes religiosos não acreditaram na afirmação de Jesus. Esse reconhecimento de Jesus lhes deu o que precisavam para condená-Lo à morte (Mateus 26:63; Lucas 22:70-71; João 19:7).

Para os judeus que entraram em contato com Jesus durante Sua vida, tomar o nome “o Filho de Deus” significava que Ele é Deus. Isso nos leva a outro aspecto importante deste tópico…

Por que a Bíblia chama Jesus de Filho de Deus

The silhouettes of three crosses stand in front of the setting sun.

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A Bíblia chama Jesus de Filho de Deus, não para significar que Ele foi gerado literalmente por Deus, mas para mostrar Seu papel como o Messias prometido. Desde o momento em que Adão e Eva escolheram pecar, a Bíblia traça a história da aliança de Deus — ou promessa — de salvar Seu povo do pecado. A culminação desse plano é a vinda do Filho de Deus, um termo que indica o papel do Messias.

Por isso, João 3:16 nos diz,

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (ACF).

Em outros lugares, também encontramos Jesus sendo chamado de “primogênito de toda a criação” (Colossenses 1:15).

Ty Gibson, um conhecido orador adventista e diretor do ministério Portadores de Luz, explora esses termos um pouco mais a fundo em seu livro A Filiação de Cristo. Ele analisa como eles fazem parte de uma história maior – Deus fazendo uma aliança com Seu povo e mantendo essa aliança por meio de Jesus.

Deus primeiro declarou essa aliança em Gênesis 3:15, quando prometeu a Adão e Eva que a “Semente” – ou descendência – da mulher viria para destruir o diabo. Aqui, como Gibson coloca,

A promessa de libertação é apresentada na linguagem de descendência ou prole. … Uma linhagem espiritual surgirá de Satanás, travando guerra contra Deus e Seu povo, enquanto uma linhagem espiritual surgirá da mulher, por meio da qual uma ‘descendência’ especial um dia nascerá para conquistar Satanás e reverter os efeitos da Queda. Adão, ‘o filho de Deus’, falhou diante da tentação, em seu encontro com Satanás. Mas um novo Filho nascerá para a raça caída, e Ele esmagará a serpente em vez de ceder a ela. Um segundo ‘Adão’, um novo ‘Filho de Deus’, entrará em cena na história humana e terá sucesso onde o primeiro Adão falhou.3

Depois de dar esta aliança a Adão e Eva, Deus a renovou com Abraão, prometendo que todo o mundo seria abençoado por meio dele, porque o Messias viria por sua linhagem familiar (Gênesis 12:1-3). Em A Filiação de Cristo, Gibson traça como a aliança foi passada de Abraão para Isaque, para Jacó, para a nação de Israel.4

Ao receber a aliança, Israel tornou-se conhecido como filho de Deus. Deus até disse a Faraó:

“Israel é meu filho, meu primogênito. Por isso, eu te digo, deixa meu filho ir para que ele me sirva. Mas se você se recusar a deixá-lo ir, eu matarei seu filho, seu primogênito” (Êxodo 4:22-23, ACF).

Gibson conclui:

“Vemos que a posição ou papel do ‘filho primogênito’ não tem nada a ver com a ordem de nascimento. Tem a ver com a transmissão da aliança a todas as nações da terra.”

Passagens no Antigo Testamento comunicam essa mesma ideia. Muitas das declarações de Deus ao Rei Davi de Israel e a seu filho Salomão eram proféticas. Elas se aplicam, em um sentido secundário, ao Messias, que viria através da linhagem de Davi.

Observe 2 Crônicas 22:10, que se referia a Salomão. Deus disse:

“Ele edificará uma casa ao meu nome, e ele será meu filho, e eu serei seu Pai; e confirmarei o trono do seu reino sobre Israel para sempre” (ACF).

Salomão já havia nascido. Mas ele se tornaria “filho” de Deus ao receber a promessa da aliança.

Da mesma forma, o Salmo 2, uma profecia sobre o “Ungido” de Deus, o Messias, fala sobre Ele sendo gerado como Filho de Deus – não muito tempo atrás, mas ao receber o papel da aliança:

“Proclamarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão” (Salmo 2:7-8, ACF).

Muitas pessoas veem a palavra “unigênito” em passagens como esta (ou mesmo em João 3:16, “Filho unigênito”) e pensam que significa que Jesus nasceu de Deus ou foi gerado por Ele. É verdade que “unigênito” pode ter esse significado em grego e hebraico. No entanto, “unigênito” em João 3:16 é o grego “monogenēs”, que pode simplesmente significar “único de seu tipo, único”.

Compreender isso e a narrativa da aliança na Escritura nos ajuda a entender que Deus não criou ou gerou Jesus. Ele sempre existiu (Miquéias 5:2) e foi igual ao Pai (João 1:1-3). Seu título como o Filho de Deus indica o cumprimento da aliança.

A divindade de Jesus é a base para verdades fundamentais da Bíblia.

A man flips through pages in his Bible as he studies the subject of Jesus' divinity.

Photo by Rod Long on Unsplash

Sendo o Filho de Deus não tira a divindade de Jesus nem o seu papel na Divindade. Como vimos na Bíblia, o título indica o seu papel essencial como Deus em carne, nosso Messias.

Este aspecto de Jesus é tão importante para nós como cristãos e adventistas. É a base para:

O fato de Deus mesmo ter vindo a esta terra, ter morrido por nós e ressuscitado é a nossa esperança suprema. Como o apóstolo Paulo escreveu: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã a vossa fé” (1 Coríntios 15:14, ACF).

Porque Ele era sem pecado e viveu uma vida perfeita nesta terra (Hebreus 4:15), Ele estava qualificado para levar nossos pecados sobre Si — a pena de morte que merecíamos. E por causa de Sua divindade, Ele pode perdoar nossos pecados e nos purificar (Marcos 2:7; 1 João 1:9), nos dando a esperança da vida eterna por meio Dele:

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3, ACF).

Além disso, Jesus está agora no Céu, cumprindo Seu ministério como sumo sacerdote no santuário celestial para que Ele possa nos livrar deste mundo pecaminoso em Sua Segunda Vinda.

Como Filho de Deus, Jesus cumpre a promessa de Deus de nos salvar do pecado. Esta é nossa esperança em um mundo de dor e sofrimento: Deus cumpre Suas promessas, e Ele o fez por meio de Seu Filho, Jesus.

Para saber mais sobre como Jesus em breve nos resgatará deste mundo de pecado,

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  1. “Awful,” Online Etymology Dictionary. []
  2. See also Hebrews 1:8; John 1:18; 20:28; Rom. 9:5; Titus 2:13; and 2 Peter 1:1. https://www.ministrymagazine.org/archive/2003/03/why-should-jesus-be-both-divine-and-human.html []
  3. Gibson, Ty, The Sonship of Christ, p. 30. []
  4. Ibid., p. 35. []
  5. Ibid., p. 36-37. []

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