Se você visitar um culto em uma igreja Adventista do Sétimo Dia, poderá perceber que muitas pessoas não usam brincos, pulseiras, colares e, em alguns lugares, nem mesmo alianças de casamento. Em muitas comunidades adventistas, é comum abrir mão desses adornos externos, com base no princípio apresentado em 1 Pedro 3:3-4, que nos ensina que a verdadeira beleza não deve estar nos enfeites exteriores, mas no caráter transformado por Deus.
No entanto, isso não é uma regra ou padrão da denominação, e vários adventistas escolhem usar joias ou outros itens selecionados que podem ser considerados adorno. Certamente não é uma questão de salvação ou de quão “santo” alguém é, e não é uma condição para a membresia na igreja.
Mas de onde veio essa ênfase coletiva na modéstia? Por que foi uma questão significativa nos primeiros dias da denominação, e a ênfase é a mesma hoje?
Vamos encontrar as respostas para essas perguntas e também olhar o que as Escrituras têm a dizer. Vamos abordar:
- Por que a ênfase em minimizar o adorno, especificamente joias?
- O que a Bíblia diz sobre usar joias
- Os Adventistas acreditam que usar joias é pecado?
Vamos começar com um pouco de história e contexto.
Qual é a razão por trás da ênfase coletiva dos Adventistas em minimizar o adorno exterior?

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Quando a Igreja Adventista foi organizada, em meados do século XIX, muitos de seus líderes demonstravam preocupação com os efeitos de algumas tendências da sociedade da época. Uma delas era a excessiva valorização de joias e roupas caras como símbolos de status e aparência.
Na era vitoriana, a divisão entre a aristocracia rica e as classes “comuns” era evidente não apenas pela profissão, localização ou linhagem, mas pela forma como as pessoas adornavam suas aparências externas. Esse foco frívolo da sociedade daquela época levantou preocupações sobre seu efeito na espiritualidade, especialmente considerando a forma como as Escrituras alertam contra o orgulho, a ganância, o materialismo e outras coisas que podem estar relacionadas ao adorno excessivo.1
Então, vamos falar sobre o adorno exterior.
O que torna algo “adorno”? Segundo o Collins Dictionary, adorno é “algo que é usado para tornar uma pessoa ou coisa mais bonita.”2
As joias são geralmente associadas ao adorno porque é evidente que sua finalidade é ornamental, e não funcional. Enquanto uma camisa tem a função prática de cobrir o corpo, um colar existe principalmente como um acessório para embelezar ou ornamentar a aparência.
O adorno não é inerentemente ruim. E há muitos lugares nas Escrituras onde ele é tratado de forma neutra, no sentido literal, ou até positivamente.3
Mas, como na maioria das coisas, se nos envolvermos demais, isso pode levar ao orgulho.
Ou passamos a encontrar nosso valor naquilo que deveria ser apenas um complemento ou um adorno exterior.
Concentrar-nos em todos os nossos bens pode nos levar a sentir que essas coisas nos ajudam a nos encaixar ou a nos destacar, ou demonstram quanto dinheiro temos, ou nos dão a atenção ou o senso de valor próprio que pensamos nos faltar. Elas nos afastam do que é mais importante na vida: a identidade de cada um de nós como um filho único de Deus e nosso relacionamento com Ele, nosso amoroso Criador.
É por isso que frequentemente ouvimos que o orgulho baseado no materialismo é uma armadilha fácil de cair se focarmos demais no adorno exterior.
A Bíblia nos adverte, em várias passagens, sobre o problema do materialismo. Jesus aconselhou os judeus a “acautelarem-se e guardarem-se da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lucas 12:15, ACF).4 As “coisas” são boas, mas não são tudo. As pessoas e os relacionamentos são muito mais importantes. E o rei Salomão sabia quão perigoso era o materialismo quando escreveu estas palavras em Provérbios:
“Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o ouro.” (Provérbios 22:1, ACF).
Suas palavras são poderosas porque sabemos que ele falou por experiência própria. Ele se envolveu tanto com sua riqueza e tudo o que a acompanhava que, por um tempo, se afastou de Deus e se deixou seduzir por qualquer coisa que o tentasse. Só depois de ser humilhado seus olhos foram abertos e ele viu o quão sem sentido era perseguir posses.
E 1 Timóteo 6:7-8 nos lembra:
“Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.” (1 Timóteo 6:7-8, ACF).
Mas a pior parte do materialismo é sua ligação com o orgulho. Em vez de reconhecermos as coisas boas como dádivas de Deus, é fácil passarmos a ver a riqueza e os bens que acumulamos como sinais do nosso próprio valor ou poder. Ficamos tão envolvidos em nossas próprias capacidades que deixamos de manter o foco em Deus.
Em vez disso, a Bíblia promove a modéstia e a humildade (Salmo 25:9; 1 Pedro 5:5; Tiago 4:6-7).
(E, normalmente, uma pessoa humilde é muito mais agradável de se conviver do que uma pessoa orgulhosa!)
Mas além dessas tendências fundamentais da natureza humana caída, havia ainda mais por trás da ênfase do adventismo primitivo no adorno por meio de joias e moda.
Contexto cultural
Durante os anos 1800, quando a Igreja Adventista do Sétimo Dia foi formada, se as pessoas usavam joias, era tipicamente para refletir sua riqueza.5 Era uma indicação intencional de status.
E quanto mais chamativas ou caras as joias, mais “respeito” e reconhecimento deveriam exigir dos outros.
Muitas igrejas cristãs já desencorajavam o uso de joias — assim como outros acessórios desnecessários como rendas, fitas, golas e casacos e chapéus caros sob medida — muito antes da Igreja Adventista começar.6 Então muitos dos líderes e influenciadores do adventismo primitivo, que vieram dessas igrejas, já tinham esse ponto de vista. Eles reconheciam isso como uma porta comum para o orgulho, pois era uma forma muito visível e pública de anunciar a riqueza de alguém.
Afinal, as Escrituras advertem de maneira bem conhecida que o apego às riquezas pode ser um obstáculo significativo à fé e à saúde espiritual.
“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.” (Marcos 10:25, ACF).

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Para contrariar isso, os primeiros Adventistas incentivavam os membros da igreja a se vestirem de forma simples e modesta. E isso não era apresentado como uma regra, mas como um conselho espiritual.
Isso incluía joias, a menos que tivessem um propósito ou função mais prática. Ellen G. White, uma das fundadoras da nossa igreja, recebeu uma joia certa vez, e ela a usou porque era bonita, mas não chamativa, e porque funcionava como um fecho em seu vestido.7
Por exemplo, muitos Adventistas, então e hoje, escolhem usar alianças de casamento, embora haja muitos que optem por não usar. Mas, embora sejam “joias”, servem como símbolo de amor e casamento. Também demonstram para outras pessoas que a pessoa está em um relacionamento comprometido, o que ajuda a evitar atenções indesejadas.
Para os adventistas, as joias também estão relacionadas à mordomia cristã. Mordomia refere-se à responsabilidade que Deus nos concede de cuidar de Sua igreja, do mundo, das pessoas e de tudo o que Ele nos confiou. Isso inclui administrar bem o dinheiro. Gastar dinheiro com joias para exibir riqueza, em vez de economizá-lo ou utilizá-lo em algo mais necessário, nem sempre representa uma boa mordomia.
Mas, para chegar à raiz desses princípios e decisões que os Adventistas tomaram sobre joias e adornos externos, vamos ver o que as Escrituras dizem.
O que a Bíblia diz sobre usar joias
A Bíblia menciona adorno, modéstia e outros assuntos relacionados em várias passagens, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. A seguir estão alguns dos textos mais frequentemente associados a esse tema.
1 Timóteo 2:9
Esse versículo diz:
“Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos;” (1 Timóteo 2:9, ACF).
Nessa passagem, o apóstolo Paulo orienta as mulheres a se vestirem com modéstia, evitando estilos extravagantes e roupas ou joias desnecessariamente caras. Observe a ênfase no “pudor e modéstia” como virtudes a serem cultivadas em relação à aparência.
Hoje, esse princípio continua sendo tão relevante quanto naquela época. Ele nos incentiva a vestir-nos com modéstia e a evitar demonstrações orgulhosas de riqueza. Esse ensino está em harmonia com 1 Pedro 3:3-4.
Os adventistas, procurando seguir os princípios apresentados nesse texto, geralmente evitam o uso de joias, pois é fácil exagerar com acessórios chamativos ou de alto valor.
Isaías 3:18-20
Esses versículos dizem:
“Naquele dia o Senhor tirará o ornamento dos pendentes dos pés, e as coifas, e as luetas;
Os pendentes, e os braceletes, e os véus;
Os diademas, e as cadeias dos pés, e os cintos, e as caixas de perfumes, e os amuletos;” (Isaías 3:18-20, ACF)
Embora esses versículos pareçam estar se concentrando em itens específicos que as pessoas não deveriam usar, o contexto é importante para compreender plenamente seu significado.
Muitas das joias mencionadas nesses versículos eram usadas por israelitas da classe alta, orgulhosos, que oprimiam os pobres.
Ao listar essas joias, Isaías descreveu a classe dominante e profetizou como Deus a humilharia por causa de sua injustiça.8
Isaías não estava dizendo que as joias, em si mesmas, eram impróprias; ele estava descrevendo pessoas que agiam de maneira imprópria e mostrando como aquelas joias representavam suas prioridades.
Gênesis 35:2-4

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Pouco antes de Jacó receber o nome de Israel, ele ordenou que sua família se desfizesse de seus ídolos, trocasse de roupa e se purificasse.
“Então deram a Jacó todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, e as arrecadas que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que estava junto a Siquém.” (Gênesis 35:4, ACF).
Vamos olhar o contexto para ver por que os brincos foram destacados, e não pulseiras ou colares.
É importante entender a cultura. Como muitos comentários bíblicos sugerem, os brincos naquela época eram usados como amuletos e frequentemente gravados com imagens de deuses pagãos e dizeres misteriosos.9
Brincos também denotavam posição ou status na sociedade — o que poderia levar ao orgulho.10
Essas características pagãs e orgulhosas são a razão pela qual Deus disse a Jacó para removê-las. Não necessariamente porque os brincos fossem imoderados ou errados em si, mas por causa do que eles representavam culturalmente.
Gênesis 24:47-48
Essa referência ao uso de joias aparece quando o servo de Abraão viaja à cidade de Naor para encontrar uma esposa para Isaque. Sob a direção de Deus, ele encontra Rebeca.
“E perguntei-lhe, e disse: De quem és filha? E ela disse: Sou filha de Betuel, filho de Naor, que Milca lhe deu à luz. Então pus o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos.”
(Gênesis 24:47, ACF).
Este versículo não contém implicações negativas sobre joias.
Naquela cultura naquela época — e até hoje — anéis de nariz e pulseiras eram acessórios comuns do dia a dia.11 Eles não eram vistos como símbolos de orgulho, como os outros versículos sugerem nas culturas israelita e romano-cristã.
Esses presentes foram dados a Rebeca por bondade ou possivelmente como um presente de noivado, e com a aprovação de Deus (Gênesis 24:12, 26-27).
Este presente de um anel de nariz é encontrado em outros lugares na Bíblia, como em Ezequiel 16:12. Neste versículo, Deus simbolicamente coloca um anel de nariz em Jerusalém, que representa Sua esposa. Isso tinha o propósito de mostrar Seu relacionamento com eles.
No entanto, alguns versículos depois, Ezequiel mostra o que pode acontecer quando o adorno se torna uma fixação pela beleza ou pelo status. Ele diz que Jerusalém “confiou na sua formosura” e se tornou uma prostituta espiritual (Ezequiel 16:15, ACF).
Tanto os versículos em Gênesis quanto em Ezequiel que descrevem o presente do anel de nariz devem ser entendidos dentro do contexto da cultura e da época. Eles podem representar coisas diferentes nas culturas atuais. É melhor usarmos nosso discernimento e tentar ser modestos e humildes, aspirando a ser bons mordomos com o que Deus nos deu em nossas vidas.
Então, no geral, o que todos esses versículos nos mostram sobre joias? Eles nos aconselham a pensar cuidadosamente sobre nossos motivos. Como mencionado anteriormente, é bom nos perguntarmos: por que estamos usando joias?
Em última análise, não queremos que a aparência externa de nossas joias nos distraia ou distraia os outros de Deus e Seus princípios. Não se pode negar que o que vestimos potencialmente envia uma mensagem para os outros. Joias e outras roupas extravagantes podem enviar a mensagem errada, mesmo que de forma não intencional.
E isso se aplica, é claro, a coisas além das joias. O adorno excessivo pode acontecer com nossas casas, nossos carros ou qualquer número de coisas que não são necessárias ou são “extras”.
Podemos até ostentar nossas conquistas ou títulos como uma forma de adornar como somos percebidos, tentando melhorar a forma como os outros nos veem.
O ponto principal é que o que adornamos e como adornamos as coisas pode ser um indicador de nossas prioridades. E se estamos elevando coisas terrenas e dando mais importância a elas do que a Deus e nosso relacionamento com Ele, é hora de uma autoavaliação. Caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos como o “jovem rico” descrito em Mateus 19:16-22.
Mas voltando às joias — já que muitos adventistas não as usam, eles consideram isso um pecado?
Os adventistas acreditam que usar joias é pecado?

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Absolutamente não. Embora os adventistas tendam a aconselhar contra o uso de joias, não o vemos como pecado, e nenhum adventista ou igreja adventista deve jamais incomodá-lo por isso.
Algumas igrejas podem ter pontos de vista diferentes sobre joias, mas isso não deve ser uma questão de membresia, salvação ou aceitação geral.
E algumas pessoas em algumas igrejas podem pressioná-lo a tirar, mas isso não é apropriado, e não sinta que precisa fazer o que eles dizem. Muitos adventistas usam joias, e usá-las ou não não afeta sua capacidade de ser salvo ou de ser amado e usado por Deus.
É uma decisão pessoal que tomamos com Deus. Você sempre pode conversar com um pastor ou ancião se tiver dúvidas.
A única vez que as joias podem se tornar um problema é, como descrito anteriormente, quando de alguma forma atrapalham seu relacionamento com Deus.
E esse relacionamento é o que realmente importa.
Jesus deu um conselho sábio quando disse:
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Mateus 6:19-21, ACF).
As coisas nesta terra podem ser atraentes e divertidas. E isso não as torna todas erradas. Mas é importante lembrarmos que, no final, elas não importam. Elas empalidecem em comparação com o que Deus tem reservado para nós no céu e na Nova Terra (1 Coríntios 2:9).
Páginas relacionadas
- Matthew 19:24; Luke 12:15; 1 Timothy 2:9-10; 6:10; Isaiah 3:16-24; 1 Peter 3:3-4 [↵]
- “Adornment,” Collins Dictionary, [↵]
- Exodus 28:20; 2 Chronicles 3:6; Job 40:10; Psalm 93:5; Proverbs 3:22; Isaiah 61:10; Matthew 6:29; Luke 12:27; Titus 2:10 [↵]
- 1 Timothy 6:7-8, Luke 12:15, Proverbs 22:1. [↵]
- Lasiter, Lyndon, “Victorian Era Jewelry: Style and Characteristics,” M. S. Rau, [↵]
- Braun, Dennis H., “A Seminar on Adventists, Adornment, and Jewelry,” Andrews University, p. 25, [↵]
- Braun, Dennis H., “A Seminar on Adventists, Adornment, and Jewelry,” p. 43. [↵]
- Braun, Dennis H., “A Seminar on Adventists, Adornment, and Jewelry,” p16. [↵]
- “Genesis 35:4,” Bible Hub, [↵]
- “The Ancient and Fascinating Origin of Earrings,” Noe’s Jewelry, May 20, 2016, [↵]
- “Genesis 24:22,” Bible Hub, [↵]
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